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A mostrar mensagens de julho, 2025

As coincidências

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  Sento-me numa escada e adivinho o tempo que está para chegar. Penso nos detalhes dos dias passados, neste verão de limpezas, e nas palavras que vou ouvindo. Não tenho a pretensão de analisar alguma coisa com palavras sábias. Apenas murmuro banalidades. Escrevo com secura enquanto os olhos ardem de tristeza. A ausência de reação numa situação, que pode ser dolorosa para alguém, é quase irritante. Quando analiso o que não está bem, vejo essa decisão ponderada e aquilo que entendo como um afastamento escolhido para ficar bem no olhar dos outros. Não me refiro a algo inexistente. Refiro-me a um erro com consequências, envolto em incompreensão e uma fragilidade que precisa de tranquilidade. O silêncio das palavras é perfeito para a inexistência de um obrigada, de uma palavra de conforto ou qualquer coisa humana. É quase assustador a inexistência de compaixão. Um significado quase indeterminado e algo indefinido escondem-se atrás de um painel, para as palavras preferidas. Estas coincid...

A caixa e o espelho

  Entre o ilusório e a realidade há um mundo de possibilidades.  Hoje escrevo sobre algo insípido e inconsequente, ou talvez misterioso para não dizer tudo. Há uma caixa que guardo, que estimo e que envolvo numa certa neblina de proteção. Coloco na caixa momentos que são simplesmente graciosos, na luz que irradiam, quando tocam o coração. Estimo e agradeço todas as situações que presencio e todas as palavras que escrevo. Tudo o que é inesperado e tudo o que não é verdade acaba por cair num dos lados, a que muitas vezes chamo desilusão, mas que, em dias de sol, entendo como a realidade. As inverdades são imagens desagradáveis, junto a espelhos deformados, que não encaixam no discurso habitual. Destacam-se de vez em quando. A caixa ouve muitas coisas acertadas e o espelho acende as certezas. No percurso profissional e pessoal deparamo-nos muitas vezes com inverdades. Hoje, apercebi-me, mais uma vez, que os patamares de responsabilidade e as preocupações são tão diferentes, sobre...

Um repouso de sabores caseiro

  Quando deixamos de estar no centro das atenções cai um fino véu de repouso nos nossos braços, porque as exigências já foram cumpridas. Desligo a TV para evitar conhecer o que os outros pensam, e deito-me de barriga para o céu. Sigo o caminho para um descanso merecido, de preferência perto das árvores e do verde dos campos que agarram a frescura. Não vou para longe, mas listo o bem que me faz e o que me agrada.  Ontem, vi um prompt de escrita que sugeria uma opinião focada em sensações de descanso e um realce para a comida que preferimos, e as razões que nos levam a essas opções ou paixões.  Acho que tenho estas palavras para escrever: o sabor que nos conforta num determinado momento. Penso num prato simples, talvez uma sopa quente de abóbora, que me aquece como o sol suave da tarde. Escolho-a porque traz memórias de noites tranquilas, quando o corpo pede algo que nutre sem pesar, algo que combina com o verde dos campos e o repouso dos meus braços.  Há uns anos, dep...

A Serra

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  Nem todos podem passear nos domingos sonolentos. Muitos preferem a praia e muitos nunca viram o mar. O precipício que admiro não afasta o receio de estar perto daquelas cobras, que passeiam nos esconderijos ladeados pela vegetação que se estende até ao mar. No alto da serra, reparo nos navios de transporte de mercadorias que se afastam protegidos pelas nuvens. Estão longe. Não deve ser fácil sentir que o mar os adormece a todos, na nostalgia das ondas. O caminho é longo. O sono não apaga as escolhas e os desafios são resistentes, em todos os meses de ausência que estão marcados no calendário. É preciso conhecer os segredos do mar antes de adormecer em cada um desses dias. Do lado esquerdo, a areia branca escreve na pauta azul as notas musicais que se espreguiçam ao sol. O dia luminoso toca esse lugar de mar, com salpicos de verão. Tudo parece transparente.  Há um sorriso que alargamos nos nossos lábios quando vemos os golfinhos por ali.  Tudo o que vejo é alto e agreste...

Incluir o nosso descanso

  Na rota dos nossos dias, há locais que podemos considerar atrativos para o nosso tão desejado descanso. Há um ano, vi fotos de um lugar que não me saiu da memória. Vi a manta verde que aconchegava a região. A sensação de fresquidão tranquila estava também associada a um riacho que passava por perto. Senti o descanso a respirar em cada uma das fotos. Há muitas localidades assim, mas aquela que guardei era uma aldeia de Xisto. As casas que contam estórias estão em muitos lugares para nos oferecer uns dias diferentes, com carinho e momentos inesperados. Na lista do que gostamos incluímos o que precisamos, o que nos importa e a aventura que nos espreita ou que alimentamos em segredo. Tudo isso. Às vezes penso que ninguém lê o que escrevo, mas por enquanto escrevo para mim e um dia talvez alguém me diga que gosta da simplicidade que às vezes me toca. Na minha lista vou incluir a escrita. Fecho à chave todas as caixas que encontrar. Agarro-me a todo o verde que me despertar e estico-m...

Estou acordada

  Mais um dia de trabalho. As horas em que espero que tudo corra bem são muitas vezes longas. Levantei a persiana e olhei em redor. Os terrenos não estão limpos. As ervas secas avançam em direção às paredes escondidas por arbustos com flores azuis. Está tudo ressequido, gritando por água. Penso como é possível abandonar o que é bonito. Mais à frente, as flores azuis e brancas destacam-se junto ao caminho que nos aproxima do edifício. Vejo as garrafas de plástico que foram atiradas para ali, as embalagens de papel esquecidas ao calor, os sacos de plástico entrelaçados nas ervas secas. Os pequenos jardins estão esquecidos. Foram abandonados ao calor e a indiferença avançou imprudente. Ninguém se lembrou de proteger e de regar os pequenos espaços verdes, onde ainda se encontram algumas sobreviventes, no meio das ervas secas. Em redor, vejo o cimento que é igual em todo o lado. Nenhum reparo é bem recebido na indiferença de todos.  Sei bem que os recursos humanos, neste espaço, nã...

Ausência de emoções

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Voltei ao caminho estreito. Acho-o sempre antigo, pouco cuidado e matreiro. Uma palavra que não é usada para um sítio de passagem: matreiro. O dia carrega o cinzento de um céu nublado. O clarear tímido de uns raios de sol rompe a zona do caminho onde as folhas não caem. Estive ausente uns meses e tenho curiosidade em saber o que mudou, naquele sítio onde tudo é quase desconhecido. Às vezes, tenho a sensação que encolheu. Já o vi a precisar de obras, desgastado pelo tempo e rodeado de ausência. Gosto de caminhar naquele canto de surpresas. Em tempos passados fez-me sonhar o sonho que nunca existiu. Acho sempre que a culpa foi minha e que não dei oportunidade a esse sonho. Não me arrependo de ter mergulhado noutras inspirações, gratificantes e abrangentes. Um empurrãozinho para a minha felicidade que se apresentou prontamente, para garantir o meu sorriso. Conto os passos para a casa do lado direito ficar visível. Uma preciosidade que acompanha uma família e a sua história neste mundo. Se...