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A mostrar mensagens de fevereiro, 2025

Instinto ou talvez não

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  Há uma rua, junto ao mar, escondida dos incautos. A beleza da paisagem não abraça esta foto imperfeita e este momento é curto e impessoal.  Por vezes, escolho o caminho da paisagem para alegrar os meus pensamentos e entrego o meu olhar a esse lugar. Percebo sempre algo novo. Percebo as mudanças, a multidão, as pessoas que se juntam para as gargalhadas e também percebo que isto já não é para mim. O meu sexto sentido, se o tiver, e a minha intuição, se existir, entregam tudo isto aos outros e não a mim.  Mesmo assim, nos dias de inverno, bem cedo, ainda liberto o medo e espreito o mar. Admiro a beleza das árvores e a majestosa elegância do castelo. Sinto gratidão pela proximidade deste espaço, mas algumas alterações, sem rodeios ou mistérios, tornaram este espaço reduzido.

Imagino um lugar que não conheço

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Às vezes escrevo o que a imaginação me mostra, outras vezes os caminhos estreitos têm pormenores para me contar. Nem sempre encontro as palavras certas, mas não penso que admiração ou reconhecimento sejam difíceis de contentar. Não tenho nada escondido, nem qualquer intenção menos límpida que a água, de algum riacho, visível nesses cantos que quero imaginar. Vi uma foto, que não é minha, tirada pela alegria de um lugar especial. Os campos com cores de inverno, num lugar que desconheço sobravam de felicidade. Para os ausentes, há um sobreiro que os protege, que lhes oferece a história, a sombra, a paisagem bucólica inesquecível e a largura da felicidade. Para os presentes, é o guardião da paz que não termina quando olhamos o seu esplendor. A sua sombra cresce nos pormenores, acrescenta o rio que oferece riqueza, aquece os dias frios com o sol que o protege, acalma o trabalho obrigatório das semanas com um número a crescer e guarda as palavras que não ouve. Uma beleza achada num luga...

As portas da razão

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  Parei junto às portas da razão. Conheço-as bem. Vi-as mudar de sítio. Vi-as mudar de cor. São cinzentas e feias. Parecem ganhar vida quando ali passo. Em seu redor, há plantas verdes que crescem sempre que a escuridão as protege. As raízes crescem à sua volta para as amparar. Nos dias de sol, as plantas estão junto à parede e tornam o espaço menos misterioso, parecem quase um sinal de mudança que não é percebido por todos. Logo de seguida, o céu escurece como um aviso.  Caminho na estrada estreita junto à casa, todos os meses. As plantas e as tais portas ficam diferentes quando me aproximo um pouco mais. Sinto o desprezo a crescer. O afastamento cresce dentro de mim. Rejeitam-me! Escondem-me! É sempre assim! Naquele sítio, naquela casa, só aceitam os ricos e os eleitos. Aqueles que foram escolhidos, para festejar nas horas mortas, nunca se aproximam. Eu nunca fui escolhida. Nunca. É assim há muitos anos naquele sítio aberto aos céus e fechado para alguns, fechado para mim......