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A mostrar mensagens de dezembro, 2024

Foguetes

  Há cores nos céus neste início do ano 2025. São um incentivo à nossa resiliência, à nossa coragem e à conquista da nossa felicidade.  É isto que todos queremos: paz, prosperidade, saúde e merecemos ainda mais. Por umas horas esquecemos o que nos dói, o que nos preocupa e as memórias menos boas que queremos afastar. Há muitas perdas em vários momentos da nossa vida, mas há oportunidades e há felicidade. Sim, são demasiadas as incertezas neste mundo cheio de conflitos, de ódio, de sofrimento e todos os dias somos confrontados com seres humanos sem coração. Isto temos de mudar e nunca aceitar, todos os dias, todos os minutos!  Os foguetes rasgam os céus esta noite e estão certamente reservados para os habitantes de algum lugar distante. Mais perto, o barulho agressivo, de um possível ensaio, para ser exibido à meia-noite, também anuncia a festa de um novo ano, que começa cheio de promessas e decisões. Os novos objetivos desenhados à meia-noite são os melhores porq...

Voltei

Será que todos reparam nas casas, nesse conforto humano, cheio de histórias, que se renova no tempo silencioso? Caminhavam em silêncio ao lado um do outro. As árvores ficaram para trás e os candeeiros junto à estrada permitiam ver melhor o caminho. O céu estava escuro e várias casas, de ambos os lados da estrada, tinham as luzes exteriores acesas. Não se via ninguém e o barulho era cada vez mais incomodativo. Aquela pequena dúvida, sobre a decisão de sair numa noite tão escura e fria, era agora uma certeza.   Novo susto. A trovoada e as descargas elétricas assustavam o Silvio. Olharam em redor à procura de um abrigo. Tudo parecia impossível naquele momento. O amigo de quatro patas, com olhar dócil, sempre pronto para correrias, parecia mais lento do que habitualmente. A escuridão abafava o entusiasmo de uma saída que já se tornara habitual.  Começou a chover.  O céu estava carregado de negro. A chuva era cada vez mais forte e quando olhavam para a luz amarelada do ...

Uma forma simples de dizer coisas

 Que forma simples de guardar as lembranças e as lágrimas! A literatura oral tradicional é um marco da nossa sabedoria individual e coletiva. Neste dia de inverno escrevo somente as palavras que a minha memória aceita.  O que os outros guardam na memória são testemunhos sábios de tantas épocas ou décadas, anos de relatos orais e aprendizagens que são passadas a outros, e outros, e que encontram nos estudiosos uma janela de partilha e de divulgação alargada. A literatura oral portuguesa é um testemunho vivo da nossa cultura, da nossa identidade, de nós mesmos. É tão simples e tão bonita. Preservar esta parte da nossa cultura é uma obrigação.  Hoje faço uma viagem ao passado e escrevo sobre esta memória que faz parte de mim. Registar por escrito os cantares, os poemas, as lendas da literatura oral portuguesa nem sempre é tarefa fácil. O tempo passou e reconheço mais uma vez que a ajuda preciosa da minha família, a quem devo tudo, tornou a tarefa menos cansativa durante os...

Um passeio matinal

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O ar fresco parece chamar-nos para um prazer inesperado e cada vez que respiramos sentimos uma ilusão que desperta nos sons da manhã quando abrimos a porta. Esse atrevimento, escolhido para o dia em que decidimos espreitar qualquer coisa de novo, agarra-nos com alegria.  O passeio com o Silvio no caminho estreito é sempre um momento de descoberta. Não é meu. O Silvio não é meu. Temos um encantamento desconhecido que não precisa de ser contado. Reparo nas suas escolhas: afastar o conhecido com subtileza, ativar o modo sombra, pairar sobre o que pretende perceber, ignorar mais um pouco e espreitar de novo. E agora parou como um aviso escrito no vento.  No caminho estreito os muros não são altos. Consigo ver as casas e os jardins, que foram arranjados e modificados nos últimos anos, mas ali, naquele sítio, a neblina esconde-nos. Estamos perto da rua com nome de cidade. O Corgi escuta as minhas palavras e corremos… Corremos com medo que nos vejam por ali.  A neblina dissipou-...