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A mostrar mensagens de janeiro, 2025

Aborrecimento

  O papel fora dobrado no aborrecimento do momento. Li o que estava escrito, já meio apagado pela memória e fazia sentido. Por vezes, faz falta soprar o que nos incomóda para um papel silencioso. Numa rede social partilha-se. Se decidimos que é pouco assim será. Se escrevemos o que pensamos no momento ou se decidimos publicar a foto, que nos deu alegrias, não estamos à espera que alguém, que nos conhece, atire para cima de nós o aborrecimento das palavras azedas, invejosas e sombrias.  Hoje, com a distância das semanas, vejo as sombras, que nada publicam, mas tudo observam, de uma outra forma. Sim, vejo-as de uma outra forma. São sombras e ignoro esse jogo.  Mais importante que tudo, vejo a alegria de quem está só. A alegria de muitos ausentes, em zonas do mundo que os distanciam do casual e do mundano, globalmente ligados, a sorrirem com publicações, a aprender, a partilhar e a comunicar... sem aborrecimentos. As palavras, que não valem a pena, devem ser polvilhadas de s...

A casa da porta vermelha

  A casa da porta vermelha ficou abandonada numa rua com amoras. A pequena moradia comprada, pelos meus queridos pais, às portas da bonita cidade de A., em Portugal, foi a concretização de um projeto com o qual sonhavam há anos. Os ares modernistas originais e as cores alegres da mudança trouxeram boa disposição e conforto. O cenário final foi perfeito. As minhas visitas regulares, a esse cantinho de carinho, foram sempre especiais. Os cheiros das surpresas eram adocicados e o lençol de cores à volta da casa nunca parou de surpreender. Sentir a beleza que a primavera e o verão acrescentam aos espaços exteriores foi apenas o ponto de partida.  Desfadigar.  Muitos momentos de descanso e de ternura familiar continuam a viver nas fotos que tirei nesses dias, de sol quente. A minha admiração, estima e apreço por darem sentido à vida e por estarem sempre presentes. E, sim! Havia silvas perto da casa. Foram muitas as vezes que apanhei amoras com a minha mãe e tornámos to...

Em janeiro

  Parei para ver o mar. O cinzento das nuvens e os raios de sol acalmaram uma tarde de ruídos. Quando há baldes de tinta cinza nos céus, os tons do inverno espalham-se pela paisagem e tudo parece estar mais distante.  Um cenário idílico para descansar as preocupações...