A casa da porta vermelha
A casa da porta vermelha ficou abandonada numa rua com amoras.
A pequena moradia comprada, pelos meus queridos pais, às portas da bonita cidade de A., em Portugal, foi a concretização de um projeto com o qual sonhavam há anos. Os ares modernistas originais e as cores alegres da mudança trouxeram boa disposição e conforto. O cenário final foi perfeito. As minhas visitas regulares, a esse cantinho de carinho, foram sempre especiais. Os cheiros das surpresas eram adocicados e o lençol de cores à volta da casa nunca parou de surpreender. Sentir a beleza que a primavera e o verão acrescentam aos espaços exteriores foi apenas o ponto de partida.
Desfadigar.
Muitos momentos de descanso e de ternura familiar continuam a viver nas fotos que tirei nesses dias, de sol quente. A minha admiração, estima e apreço por darem sentido à vida e por estarem sempre presentes. E, sim! Havia silvas perto da casa. Foram muitas as vezes que apanhei amoras com a minha mãe e tornámos todos esses instantes especiais. São os momentos preferidos que recordamos quando a vida segue para a fase seguinte.
Hoje, escrevo sobre a alegria de muitos desses momentos, quase saboreados em conjunto. Realço de novo o pequeno jardim, cheio de magia e uma janela curiosa. Os tons de verde sempre me pareceram infinitos, naqueles cabeços misteriosos, inflamados de trivialidades.
Agora estou longe e já nada existe.
Os anos passaram e tudo se transformou em ausência.
Continuo a gostar de portas vermelhas, amarelas, coloridas…
Rabisco esse sonho num pequeno caderno e acrescento mais coisas que não consegui fazer.
A imaginação escreve com tinta invisível aquilo que queremos fazer.
Comentários
Enviar um comentário