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A mostrar mensagens de abril, 2025

Rasgo o vento com as minhas palavras ausentes

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  Uns passos são suficientes para ouvir o vento assobiar no corredor. Há uma paisagem natural lá fora, para olhar com encantamento. A sua forma incógnita agarra-se às nuvens em dias duvidosos, aviva diferentes sobreposições todos os dias e desperta curiosidade em dias claros. Um som musical contínuo, quase profundo faz avanços. Este som incomoda a minha decisão. A porta da rua impede-o de agitar os cabelos, mas adivinho o que se passa e procuro proteger-me de tanta animação, se posso chamar assim a este novo aviso. Com a nova estória do dia sinto-me pouco merecedora do que consigo lembrar-me. Estou calma, concentrada e rasgo o vento com as minhas palavras ausentes. O frio percorre o meu corpo. A simpatia advinha-se nos rostos simpáticos que se cruzam comigo. O dia das descobertas começou.

O que não sei

  São muitas as palavras que oferecemos aos outros. Não concordar com os outros é natural, é habitual e por vezes merecido. No entanto, as palavras que ouvimos são naturalmente diferentes das nossas. Os interesses que me acompanham são pouco satisfatórios, para quem passa diariamente, no mesmo passeio que eu. Compreensível. Contudo, o respeito e a educação dão sentido à nossa conduta, à nossa ambição e à nossa conversa. Muito mais acrescentaria, mas nada sei. Há tanta coisa que não sei.  Por vezes, penso que não sei nada. Terei de pensar sobre este assunto, mas alinhar as minhas ideias com os interesses de todos os outros vai ser pouco provável ou impossível. O caminho é muitas vezes oposto, mas percebemos quando nos pretendem picar com palavras, que são proferidas por pessoas amigas, para atingir uma meta qualquer, que não entendemos, de imediato. Evito essas palavras. Reconheço-as, muitas vezes, e sinto sempre que a inveja desse alguém, ou a ausência de qualquer coisa faz as...

Os outros

  O sofrimento de muitos, de muitas palavras, acolhe a bondade de alguns, que reluzem na oferta de auxílio. A simples sugestão, a palavra certa, no momento da novidade abrupta e até mesmo a mão inesperada são a porta entreaberta, para o caminho que nos aperta de saudade. A saudade de estar bem. O amparo das palavras, o prato de comida, a ajuda inesperada, o toque fraterno e amigável aconchegam quem precisa de ajuda. Sempre. O sofrimento é reconhecido, de forma diferente, porque somos diferentes na nossa compreensão e na nossa resiliência. A oferta de ajuda mostra proteção. A espera silenciosa por essa oferta, esperando que alguém pergunte, que alguém se ofereça, mostra solidão. Também tenho as minhas estórias. Nos tempos que já passaram, costumava passear com a minha querida mãe, ao final de tarde. Era verão, um dia bonito para ver o campo das oliveiras e os pintassilgos que regressavam, em bandos, ao final do dia. Estávamos perto da casa de campo da família, mas mesmo assim havia...

Tomar uma decisão

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  Um pequeno registo. Um pequeno desafio. Este dia, este hoje, fica marcado por palavras transparentes. Tomar uma decisão, no dia de hoje, não foi fácil. Pensei e pensei. Não pensei melhor, mas não fazia diferença.  As decisões que tomamos e que afetam a nossa vivência são memórias, que ficam dentro de nós, para sempre. Já tomei decisões difíceis e sei que não são esquecidas. Nada é esquecido. Podia não ser assim, mas para mim é assim. Antecipei essa decisão. Não será a única, mesmo que não faça sentido uma frase assim. Quando as escolhas não impressionam, mas duram porque são necessárias, temos de decidir. Temos de escolher o melhor.  Já que não se esquece tudo e porque assim deve ser, a leveza de ideias procura soluções, arranja detalhes cuidadosamente pensados, para o nosso conforto e a nossa serenidade. Assim, também eu encontrei um significado para a minha decisão.  Umas lágrimas de tristeza, neste dia de primavera, por razões desconhecidas, deslizam no meu r...

A arte. O sentir.

  Sentir. Sentir a arte, se isso for possível.  Entrar numa galeria de arte ou num museu e respirar as diferentes maneiras de ser e de sentir, torna-nos curiosos. Respirar as inovações que nos apresentam e toda a magnificência do que observamos, torna-nos generosos.  Sinto-me privilegiada, sempre que entro num espaço de cultura e de arte. A dedicação pelos visitantes, o altruísmo e a qualidade não passam despercebidos. A arte toca-me profundamente, despertando emoções que são fundamentais, para o meu conhecimento e para o meu contentamento. Os dias dessas experiências individuais acrescentam uma sensação de brandura, que não sei definir. Direi apenas que existe e é sentida. Não olho para um quadro para criticar ou menosprezar. Admiro a intensidade de tanta beleza, sinto a grandeza da obra criada. Escolho as palavras pacificidade e admiração para o que observo.  Sinto uma sensação de agradecimento, sempre que olho para um quadro dos grandes mestres. Tenho as minhas...

Ontem ou amanhã

  O caminho estreito parece diferente, nesta tarde de sol. As árvores estão agitadas, com um vento que não se esperava.   Algo está diferente, algo adormecido ou talvez algo longe da realidade. O caminho estreito tem sempre novidades quando os céus se transformam e a noite regressa. Soprado pelo vento e escondido pela vegetação está presente para ouvir as tristezas, para acalmar as dores e sentir as lágrimas de todos nós.  Ainda procuro as cores do anoitecer nos céus e reparo nas portas vermelhas. Estão abertas para quem passa. Olhei de novo, para o interior da casa e voltei a sentir saudade da ilusão, da alegria, da inocência, por breves segundos apenas.  Algo mudou ou talvez eu tenha mudado. Ontem ou amanhã.