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A mostrar mensagens de março, 2025

Apago o que não preciso escrever

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  Desperto com a cidade em movimento. Mais uma vez, interrogo-me sobre as palavras que escrevo. Parecem a espuma, numa chávena de café, com o sabor de canela à mistura. O que não preciso partilhar é cautelosamente revisto, de vez em quando. Sou sensata, mas ingénua nos pensamentos e nas palavras que escrevo, cheias de vento e preocupações. Escolho a descrição de cética, em demasia, nos dias de nuvens cinzentas e em dias de sol brilhante.  Apago o que não preciso escrever. Sim. Uma tolice sem igual, com toda a certeza, nunca entendida. Esse processo de empatia pelas palavras, nem sempre me favorece. Nem sempre sou o que escrevo. São, apenas, arrumações virtuais. O acaso e o realismo são as mãos cautelosas que escolho, dispersas por aí. A mente organiza frases que gosto de escrever, em sítios onde não conheço ninguém e sobretudo quando não conheço ninguém. Incompreensível, certamente, mas aceitável para mim.   Escrevo sem dizer nada.

Simplesmente outro alguém

Simplesmente um ruído antiquado ou preferências para problemas resolvidos. Na verdade, as palavras são sempre a conclusão necessária. Simplesmente outro alguém, uma chávena de chocolate quente e uma porta vermelha. Uma porta, uma janela, metade de mais qualquer coisa numa mistura sem conselhos. Este caminho, esta opção, esta escolha são algumas das decisões acertadas. Olho em redor e apenas vejo oportunidades extraordinárias, tradições, modernidade e uma síntese perfeita entre as duas. Uma poltrona posicionada junto a uma janela mostra-me tudo isso e, se não houver mais do que uma parede em frente, escolho alterar a localização dessa poltrona e observar o que mais me encanta.  Entre o trabalho e os tempos livres, as decisões baseadas na confiança ou na ausência dela, muitas vezes, garantem resultados excepcionais. Prefiro pensar assim. O refúgio acolhedor, com uma porta vermelha e uma chávena de chocolate quente, fica no fim de um caminho estreito e, mesmo aí, não há nada im...

Afasto-me

Voltei a errar.  Fui ver aquele espaço, parecido com um pedaço de  paraíso, nesta cidade que escolhi, para me sentir em casa. É sempre surpreendente a força da natureza e as cores de uma tempestade que se aproxima. A beleza da paisagem isola-se de qualquer preocupação, de qualquer dúvida. A escuridão das nuvens juntou-se aos reflexos do mar e o sol ainda mostrava o brilho ténue, pouco exuberante, mas presente. Sentia-se um misto de beleza e receio, apesar do mar estar sereno, o vento adormecido e a tarde silenciosa. Vi algumas famílias a antecipar o Carnaval, com as crianças mascaradas, alguns caminhantes no seu percurso habitual, conversas partilhadas em conjunto e ainda alguns amantes de fotografia. A paisagem é sempre soberba. Há sempre um revés, uma contrariedade que me fez pensar se devo mudar os meus hábitos e evitar os sítios em que vejo o mar, pela simples razão que passou a ser frequentado por quem não respeita a educação, os bons modos, as regras, a correção em geral...

Há alegria em todo o lado

Devemos descobrir o segredo da nossa alegria todos os dias.  Devemos encontrar a nossa paixão pela simplicidade da natureza e pelo luxo da nossa existência. Consigo associar a alegria à arte, aos edifícios com pormenores inesperados, da arquitetura do passado e do presente, e à natureza. Um simples olhar de contentamento inspira-nos. As serras, os montes, os rios, os campos pincelados de primavera, cheios de cor, estão num nível inicial do bem-estar. Os tons de verde, os outros tons, o olhar distante a observar as formas dos campos, neste país tão bonito, fazem-nos respirar a saúde que precisamos. Gosto das cidades, das formas geométricas, dos detalhes, dos miradouros, de tudo o que está dividido em diferentes zonas.  Encaixado neste novo parágrafo, acrescento o conforto da  casa, onde descanso e onde a luz natural é abundante. Esse lugar recebe o meu olhar todos os dias. Confesso que gosto de fazer mudanças nesse espaço de recantos e harmonia. As flores na jarra abraçam-...