Apago o que não preciso escrever
Desperto com a cidade em movimento. Mais uma vez, interrogo-me sobre as palavras que escrevo. Parecem a espuma, numa chávena de café, com o sabor de canela à mistura. O que não preciso partilhar é cautelosamente revisto, de vez em quando. Sou sensata, mas ingénua nos pensamentos e nas palavras que escrevo, cheias de vento e preocupações. Escolho a descrição de cética, em demasia, nos dias de nuvens cinzentas e em dias de sol brilhante.
Apago o que não preciso escrever. Sim. Uma tolice sem igual, com toda a certeza, nunca entendida. Esse processo de empatia pelas palavras, nem sempre me favorece. Nem sempre sou o que escrevo. São, apenas, arrumações virtuais. O acaso e o realismo são as mãos cautelosas que escolho, dispersas por aí. A mente organiza frases que gosto de escrever, em sítios onde não conheço ninguém e sobretudo quando não conheço ninguém. Incompreensível, certamente, mas aceitável para mim.
Escrevo sem dizer nada.
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