Vivências
Cores de mar, de vegetação, cores de terra, tons mais leves junto a uma janela aberta para o sol. Tudo isso espevita as decisões de quem pinta e abana as decisões de quem observa. Continuamos a imaginar tudo isso embrulhado, sem um laço.
Que sonolência essa de imaginar a tela habitada pela força do desconhecido, robusta no sentimento que lhe é entregue e calculada nos minutos dos prejuízos. O ímpeto de esbater as cores na tela para realçar a ideia que já ferve dentro do peito e que corre para um pedaço de surpresa que começa branco. Após algum tempo, supera o soufflé que está no forno. Só um pouco da arte de saber fazer, ou talvez de querer fazer sem preocupações.
Sublime destreza que nos proporcionam as tintas. O hobby certo para as figuras inexperientes de exposição da alma. Certo é que nos entregamos na imagem que criámos, para nos envolver na necessária compaixão que as tintas arrebatam. Na nossa entrega somos transferidos para a construção da nossa composição, com um frenesim no empenho que nos agita.
Mais trinta minutos. A tela no chão, durante o período de ausência, é julgada, avaliada, cravada de adjetivos mas sobretudo é esquecida.
Será o esquecimento um caminho que deva ser analisado?
Será culpa nossa?
Mais uma hora.
Os pincéis agarram o amor dos contornos que a nossa força interior lhes confere. Valorizando a distância da imagem, deslizam atraindo as cores. Atraem as sobreposições e os relevos que espelham o nosso querer.
No presente das horas temos uma oferta diferente para os dias adequados às nossas capacidades.
Tudo isto embrulhado, sem um laço.
@ maria silva monteiro - janeiro 2026
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