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A mostrar mensagens de outubro, 2025

Ao sabor do vento

  Rodopios de informação aproximam-se cada vez mais porque, na verdade, os dias mudaram para preocupações e alertas de mau tempo. Nesse caminho necessário, os transeuntes ocupados pela vida diária centram-se na lista de horas que o dia esbate em tons de cinzento carregado. Apressam-se. Os pensamentos cruzados e muitos passos, na calçada incerta e traiçoeira, agitam a caminhada. Os olhares são diferentes nos dias de verão luminoso, sem o peso da preocupação. Sentem a brisa suave, lenta e acolhedora no corpo leve de aborrecimentos. Falta pouco, pensei várias vezes. Enquanto um olhar fugaz atento e preocupado se aproxima, um outro procura a areia branca que se esconde nos dias sombrios. Cada vez mais perto, uma tira de areia, bem longe, deslumbra e ilumina esse dia de outubro, coberto de nuvens traiçoeiras. Um raio de sol tímido é suficiente para aproximar o conforto e a certeza de que há sempre dias bonitos.  Ao sabor do vento – 28 de outubro

Cantos de mudança

  Os arrepios de ar fresco já tingem os céus de pinceladas cinzentas misturadas com um branco ocasional de sobreposição luminosa. Escolhida para destacar uma rola-de-colar, repousa uma antena que se liberta de um telhado envelhecido, pelo tempo de todos os dias. A rola-de-colar volta e vai de novo para a recatada antena, para que comprovem que está viva e atenta, quase despercebida no tom de cinzento. Destaca-se no seu canto. Naquele caminho, ao longe, contam-se as histórias das vidas de homens e mulheres trabalhadores, cobertos de inteligência e de descobertas. Plantam um manto de bolbos antes da renovação dos dias cinzentos. E quando a falsidade desilude, é o esforço apaziguante que acolhe o compromisso e a necessidade. O embelezamento daquele caminho procura o aconchego dos dias próximos, que respiram compromissos com a mudança dos ares. A necessidade é quase um esforço conjunto de comunicação abstrata, nos espaços com regras. Embelezamos e marcamos no calendário as regras de co...

Dias de outono

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  Dias de outono são tudo o que há para dizer. Guardei, arrumei e hesitei. Guardei nesse canto mais escuro o inverosímil, o incómodo e a surpresa. O que não se esquece lança a sua luz por tudo o que o tempo guardou. As coincidências já estão arrumadas, de costas soltas para o vento. Os sons de mudança aguardam a verdade do dia doze de outubro. É surpreendente a capacidade de gerir tudo isto e ainda arranjar uma música nova para estes dias de outono. Guardei-a no último canto que o sol visita. Foto: O outono que nos pertence.

Gratidão ou o Lago dos Reflexos

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  São leves as palavras escritas junto do lago.  Escondido pelas árvores e abafado pelo vento, esconde os espíritos invisíveis responsáveis pelo crescimento de todas as belezas naturais. As oliveiras sussurram a existência de vida em redor. Apertam as distâncias que não reconheço. Avisam o que se aproxima. Muitas coisas tocam a água calma do lago antes de anoitecer. Muitas imagens do presente apertam o corpo durante o dia. Sente-se nas ideias a palavra gratidão, ouve-se na ponta das orelhas o significado de estar agradecida, e a vontade de repetir o que se vê alastra pelo peito e cresce até ao estômago. Os momentos felizes que nem reparamos são sempre uma alegria duradoura que o lago devolve em imagens invertidas. Não conto o que ali está, mas reparo que não sou a única a olhar aquela água que escreve palavras no que se vê. Três árvores com ramos caídos até ao chão parecem proteger o lago. Quando as vejo parecem-me guerreiros atentos e às vezes quando me volto parecem ausentes...