Cantos de mudança
Os arrepios de ar fresco já tingem os céus de pinceladas cinzentas misturadas com um branco ocasional de sobreposição luminosa. Escolhida para destacar uma rola-de-colar, repousa uma antena que se liberta de um telhado envelhecido, pelo tempo de todos os dias. A rola-de-colar volta e vai de novo para a recatada antena, para que comprovem que está viva e atenta, quase despercebida no tom de cinzento. Destaca-se no seu canto.
Naquele caminho, ao longe, contam-se as histórias das vidas de homens e mulheres trabalhadores, cobertos de inteligência e de descobertas. Plantam um manto de bolbos antes da renovação dos dias cinzentos. E quando a falsidade desilude, é o esforço apaziguante que acolhe o compromisso e a necessidade. O embelezamento daquele caminho procura o aconchego dos dias próximos, que respiram compromissos com a mudança dos ares. A necessidade é quase um esforço conjunto de comunicação abstrata, nos espaços com regras. Embelezamos e marcamos no calendário as regras de convivência e as outras regras das estações que mudam, e os caminhos que procuramos, pincelados de cor. A necessidade de cada um é uma metáfora que imaginamos: quando respiramos a mudança que desejamos.
E tudo ficará mais luminoso quando o ar fresco voltar ameno e acolhedor, e a rola-de-colar voltar a brilhar no sol intenso.
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