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A mostrar mensagens de agosto, 2025

Cortaram-me as palavras

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  Por uns momentos, coloquei a hipótese de valorizar o tempo. Passei o olhar pelo espaço e obriguei-me a pensar em coincidências, em factos, no porquê, no como e em espaços vazios. Baixei os olhos para o computador. Cada palavra que escrevesse seria uma responsabilidade barulhenta. Sou sempre compreensiva comigo mesma, mas há sempre uma parte de mim que deseja corrigir o que está escrito, por medo da infinita responsabilidade. No entanto, existe qualquer coisa neste processo que me atrai quando tenho as mãos cheias de papéis. Às vezes, sinto que me cortaram as palavras. Deixo aqui este mistério, pura e simplesmente imprudente. Serão as nuvens e o ar gélido que me fazem pensar assim? Avancei um pouco na direção da cadeira, mas senti um arrepio e estremeci. Parei perplexa. Estaria assim tão mau lá fora? Levantei o queixo, espreitei e encontrei o caminho de volta para a imaginação. Precisava de um agasalho de lã. Os caminhos estavam gelados. Um manto quase descolorido acompanhava o mu...

As reuniões que tiram o sono

  As palavras ecoam em dias, em que penso, naquele exato momento, não tão simples assim. Faltavam quinze minutos para o início de uma reunião. O meu pensamento rolava e as palavras eram claras. "Não sei para onde vou ou se me arrependo e não vou", pensei várias vezes, olhando o céu escuro. A experiência daquelas reuniões nunca inclui as palavras: objetividade, obrigada e bom trabalho. A chuva das palavras, sem a proteção de um chapéu, é reminiscente de qualquer coisa. Sim. A chuva das palavras, sem a proteção de um chapéu, é reminiscente de um diálogo caótico e desordenado. O tempo passou, mas ainda recordo o realismo e a incompreensão. É certo que não pensamos todos da mesma maneira. Fui a única pessoa a votar contra uma intervenção no telhado. O proprietário do último andar apresentou um projeto para colocar um barbecue na sua varanda, e entendeu ser preferível fazer uma chaminé no telhado. O prédio tinha um ano. Essa intervenção desnecessária teve um voto contra. Agora são...

Uma visita à terra dos avós

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  Foto - O passeio que se conhece.  Passeei pela terra dos avós. Visitei aquela rua que diz ser rio. Um lugar antigo que já sorriu como outros que existem em cada cidade que visitamos. Há muitos lugares assim que ficam entregues ao passado e perdem-se como anos festejados, sempre com a mesma roupa. Poucas são as casas que foram cuidadas e que respiram vontade e novos desafios. Nessas ouvi o riso das crianças e os nomes de todos. Os anos passaram e continuo a saber onde se encontra aquele lugar. Aquela casa chamou o meu olhar. Sentia-a perdida no tempo. O abandono levou o telhado, as tintas e a memória. O edifício de um cinema está encerrado e quase a perder a esperança de existir. Interrogo-me sobre o que poderá ter acontecido na rua com nome de rio, para a entregarem ao cinzento do alcatrão. Há muitos sítios em que casas mais antigas ou ruas inteiras são reconstruídas e modernizadas. Por vezes, esses ímpetos surgem ao mesmo tempo. Vi isso recentemente num passeio diferente. N...

O tempo

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  O tempo e a beleza das palavras escritas acordam as manhãs. Esse tempo que acomoda a curiosidade. Esse tempo, tão necessário para ler os nossos mistérios preferidos, parece tão volátil. Evapora com a rapidez de um sorriso e de repente já estamos a esticar as pernas, para sentir a aragem leve e fresca no final do dia. Tantos caminhos para escolher, tantas preferências – as nossas e as dos outros. As páginas de mistérios e de conhecimento merecem os nossos pensamentos e os detalhes são sempre surpresas que ficamos felizes por encontrar. Longas são as semanas para sentir cada história, cada segundo de realidade imaginada, que se instala à nossa frente e nos abraça. O tempo passa por tantas ilusões, por tantos adjetivos, ou não passa se quisermos ler tudo de novo. Em cada palavra escolhemos o caminho que nos interessa e construímos todas essas imagens dentro de nós. Às vezes penso que ninguém escolhe usar o seu tempo para ler a poesia dos outros e as estórias que escrevem, porque...