O tempo
O tempo e a beleza das palavras escritas acordam as manhãs.
Esse tempo que acomoda a curiosidade. Esse tempo, tão necessário para ler os nossos mistérios preferidos, parece tão volátil. Evapora com a rapidez de um sorriso e de repente já estamos a esticar as pernas, para sentir a aragem leve e fresca no final do dia. Tantos caminhos para escolher, tantas preferências – as nossas e as dos outros. As páginas de mistérios e de conhecimento merecem os nossos pensamentos e os detalhes são sempre surpresas que ficamos felizes por encontrar.
Longas são as semanas para sentir cada história, cada segundo de realidade imaginada, que se instala à nossa frente e nos abraça. O tempo passa por tantas ilusões, por tantos adjetivos, ou não passa se quisermos ler tudo de novo. Em cada palavra escolhemos o caminho que nos interessa e construímos todas essas imagens dentro de nós.
Às vezes penso que ninguém escolhe usar o seu tempo para ler a poesia dos outros e as estórias que escrevem, porque já não cabem dentro do peito. Não é uma verdade. Sei que não é. Muitos têm clubes de leitura e livros preferidos que encontram junto ao conforto do sono. Outros têm listas de preferências e alegrias nas leituras, com os pés junto da água, tocados pela areia molhada. Sim, nas férias merecidas guardam um tempo de palavras que é diferente do outro tempo em que respiram diariamente.
Todos têm uma enormidade de conhecimentos e de capacidades que abrem as portas do sentir, do existir. Nós e os outros que nos levam para todas essas estórias escritas, que guardamos em todos os lugares em que somos felizes, contam o que sabem. Alegram-nos.
Que pena que o tempo esteja parado quando olho para os livros.
© Maria Silva Monteiro

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