Gratidão ou o Lago dos Reflexos

 

São leves as palavras escritas junto do lago. 

Escondido pelas árvores e abafado pelo vento, esconde os espíritos invisíveis responsáveis pelo crescimento de todas as belezas naturais. As oliveiras sussurram a existência de vida em redor. Apertam as distâncias que não reconheço. Avisam o que se aproxima.

Muitas coisas tocam a água calma do lago antes de anoitecer. Muitas imagens do presente apertam o corpo durante o dia.

Sente-se nas ideias a palavra gratidão, ouve-se na ponta das orelhas o significado de estar agradecida, e a vontade de repetir o que se vê alastra pelo peito e cresce até ao estômago. Os momentos felizes que nem reparamos são sempre uma alegria duradoura que o lago devolve em imagens invertidas. Não conto o que ali está, mas reparo que não sou a única a olhar aquela água que escreve palavras no que se vê.

Três árvores com ramos caídos até ao chão parecem proteger o lago. Quando as vejo parecem-me guerreiros atentos e às vezes quando me volto parecem ausentes ou invisíveis. Volto-me sempre devagar à procura de qualquer coisa que o peito me descreve. Fico por ali onde tudo parece familiar.

Não consigo entender e não quero escrever, mas sei que o lago agarra a gratidão e a felicidade dos momentos. Há obras dos humanos guardadas naquela água em reflexos perfeitos de cor e renovação. Qual será a grande ideia que não quero escrever aqui, antes de respirar o romance do lago? Procuro com o olhar atento em redor. Sem dúvida a proximidade de um atelier de pintura, que não escolhe idades e que respira alegria, acompanha este entusiasmo. 


O lago sopra as estações do ano em cores e melodias.









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