Afasto-me
Voltei a errar.
Fui ver aquele espaço, parecido com um pedaço de paraíso, nesta cidade que escolhi, para me sentir em casa. É sempre surpreendente a força da natureza e as cores de uma tempestade que se aproxima. A beleza da paisagem isola-se de qualquer preocupação, de qualquer dúvida. A escuridão das nuvens juntou-se aos reflexos do mar e o sol ainda mostrava o brilho ténue, pouco exuberante, mas presente. Sentia-se um misto de beleza e receio, apesar do mar estar sereno, o vento adormecido e a tarde silenciosa.
Vi algumas famílias a antecipar o Carnaval, com as crianças mascaradas, alguns caminhantes no seu percurso habitual, conversas partilhadas em conjunto e ainda alguns amantes de fotografia. A paisagem é sempre soberba.
Há sempre um revés, uma contrariedade que me fez pensar se devo mudar os meus hábitos e evitar os sítios em que vejo o mar, pela simples razão que passou a ser frequentado por quem não respeita a educação, os bons modos, as regras, a correção em geral, a gentileza. Sem dúvida, que é difícil compreender quando alguém coloca o braço fora do vidro do carro e vai lançando palavras imperceptíveis para os transeuntes, mas que se percebem rudes, agressivas e indesejadas.
Afastei-me desse espaço, com um sentimento de desconfiança. Essa palavra que acrescento ao meu vocabulário é cautelosa e veste-se de dúvidas. Começa a ficar difícil. A minha perceção resulta da observação, do entendimento, do conhecimento das novas realidades.
O conselho que dou a mim própria é manter o silêncio, a educação. Olhar firme de confiança e seguir em frente. Procurar as horas em que há pessoas a fazer caminhadas e ficar breves minutos por ali.
Voltei a errar na hora e no dia em que fui ver o mar. Mas, percebi, mais uma vez, o que se passa. Aquele espaço é cada vez mais reduzido. Encolheu nos bons costumes!
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