Os outros

 

O sofrimento de muitos, de muitas palavras, acolhe a bondade de alguns, que reluzem na oferta de auxílio. A simples sugestão, a palavra certa, no momento da novidade abrupta e até mesmo a mão inesperada são a porta entreaberta, para o caminho que nos aperta de saudade. A saudade de estar bem.


O amparo das palavras, o prato de comida, a ajuda inesperada, o toque fraterno e amigável aconchegam quem precisa de ajuda. Sempre. O sofrimento é reconhecido, de forma diferente, porque somos diferentes na nossa compreensão e na nossa resiliência. A oferta de ajuda mostra proteção. A espera silenciosa por essa oferta, esperando que alguém pergunte, que alguém se ofereça, mostra solidão.

Também tenho as minhas estórias. Nos tempos que já passaram, costumava passear com a minha querida mãe, ao final de tarde. Era verão, um dia bonito para ver o campo das oliveiras e os pintassilgos que regressavam, em bandos, ao final do dia. Estávamos perto da casa de campo da família, mas mesmo assim havia caminhos desconhecidos. Num passeio casual, num desses caminhos desconhecidos, sempre a subir, ouvimos uns sons, umas palavras que não compreendemos. Encontrámos uma senhora, junto a umas silvas. Estava perto da sua casa, enleada nas silvas, que se agarraram ao fato. Foi o auxílio oferecido que a fez sorrir de novo.

 Nunca tínhamos estado ali. 

 Há muito sofrimento invisível que precisa de amor.



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