Uma forma simples de dizer coisas
Que forma simples de guardar as lembranças e as lágrimas!
A literatura oral tradicional é um marco da nossa sabedoria individual e coletiva. Neste dia de inverno escrevo somente as palavras que a minha memória aceita.
O que os outros guardam na memória são testemunhos sábios de tantas épocas ou décadas, anos de relatos orais e aprendizagens que são passadas a outros, e outros, e que encontram nos estudiosos uma janela de partilha e de divulgação alargada. A literatura oral portuguesa é um testemunho vivo da nossa cultura, da nossa identidade, de nós mesmos. É tão simples e tão bonita. Preservar esta parte da nossa cultura é uma obrigação.
Hoje faço uma viagem ao passado e escrevo sobre esta memória que faz parte de mim. Registar por escrito os cantares, os poemas, as lendas da literatura oral portuguesa nem sempre é tarefa fácil. O tempo passou e reconheço mais uma vez que a ajuda preciosa da minha família, a quem devo tudo, tornou a tarefa menos cansativa durante os meus tempos de estudante! As decisões que tomaram, ao longo dos anos, permitiram-me estudar em detrimento do seu enriquecimento pessoal ou de vivências familiares mais descontraídas e abriram-me as portas à profissão que exerço e a um gosto alargado por tantas áreas que ainda adoro: o ballet, a pintura, a literatura, a música, a opera. O conhecimento!
Estas histórias contadas à lareira, nos dias frios do inverno, enchem uma sala de alegria quando tudo se torna negro em nosso redor.
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