Estou acordada

 


Mais um dia de trabalho. As horas em que espero que tudo corra bem são muitas vezes longas. Levantei a persiana e olhei em redor. Os terrenos não estão limpos. As ervas secas avançam em direção às paredes escondidas por arbustos com flores azuis. Está tudo ressequido, gritando por água. Penso como é possível abandonar o que é bonito. Mais à frente, as flores azuis e brancas destacam-se junto ao caminho que nos aproxima do edifício. Vejo as garrafas de plástico que foram atiradas para ali, as embalagens de papel esquecidas ao calor, os sacos de plástico entrelaçados nas ervas secas. Os pequenos jardins estão esquecidos. Foram abandonados ao calor e a indiferença avançou imprudente. Ninguém se lembrou de proteger e de regar os pequenos espaços verdes, onde ainda se encontram algumas sobreviventes, no meio das ervas secas. Em redor, vejo o cimento que é igual em todo o lado.

Nenhum reparo é bem recebido na indiferença de todos. 

Sei bem que os recursos humanos, neste espaço, não incluem jardineiros. Não há parcerias que façam milagres, mas os espaços verdes são tão pequenos que esperava mais. Não pode ser como cada um deseja -- escrevo na folha colorida enquanto espero que corra tudo bem. Há outras prioridades e poupar água também é prioritário. Para mim, a visão e os objetivos delineados também deviam incluir os pequenos jardins, que são uma riqueza que vejo desaparecer em cada verão.

Será que reparamos todos no mesmo ou o desinteresse é o maior companheiro de todos os dias… Escrevo na folha colorida enquanto espero que corra tudo bem. 

Na verdade, nenhuma opinião é bem recebida na indiferença de todos. 

Guardei a folha colorida e só a encontrei hoje. 




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