Um repouso de sabores caseiro

 

Quando deixamos de estar no centro das atenções cai um fino véu de repouso nos nossos braços, porque as exigências já foram cumpridas. Desligo a TV para evitar conhecer o que os outros pensam, e deito-me de barriga para o céu. Sigo o caminho para um descanso merecido, de preferência perto das árvores e do verde dos campos que agarram a frescura. Não vou para longe, mas listo o bem que me faz e o que me agrada. 

Ontem, vi um prompt de escrita que sugeria uma opinião focada em sensações de descanso e um realce para a comida que preferimos, e as razões que nos levam a essas opções ou paixões. 

Acho que tenho estas palavras para escrever: o sabor que nos conforta num determinado momento. Penso num prato simples, talvez uma sopa quente de abóbora, que me aquece como o sol suave da tarde. Escolho-a porque traz memórias de noites tranquilas, quando o corpo pede algo que nutre sem pesar, algo que combina com o verde dos campos e o repouso dos meus braços. 

Há uns anos, depois de um passeio e antes de chegar a Portugal, pedi à minha mãe para me fazer uma refeição de peixe espada frito com arroz de tomate. Aqui fica um sorriso. Depois de algumas semanas fora era este o sabor desejado ou o conforto que escolhi. Não tenho intenções de dissertar sobre o que me fez pedir este prato, nem analisar que comportamentos evidenciam o quê. Estava cansada de comer hambúrgueres certamente, que normalmente é a comida rápida para quem viaja e tem pouco dinheiro. Há escolhas e vontades que são nossas e por vezes apetece-nos saborear algo diferente. Seriam as memórias de casa que me levaram a este pedido? Posso responder com um sim. 

Neste meu caminho de descanso vou folhear os livros de culinária à procura de receitas frescas e apetitosas, e, sob o véu do repouso, prometo encontrar nos sabores a calma que procuro.

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