As coincidências

 

Sento-me numa escada e adivinho o tempo que está para chegar. Penso nos detalhes dos dias passados, neste verão de limpezas, e nas palavras que vou ouvindo. Não tenho a pretensão de analisar alguma coisa com palavras sábias. Apenas murmuro banalidades.

Escrevo com secura enquanto os olhos ardem de tristeza.

A ausência de reação numa situação, que pode ser dolorosa para alguém, é quase irritante. Quando analiso o que não está bem, vejo essa decisão ponderada e aquilo que entendo como um afastamento escolhido para ficar bem no olhar dos outros. Não me refiro a algo inexistente. Refiro-me a um erro com consequências, envolto em incompreensão e uma fragilidade que precisa de tranquilidade. O silêncio das palavras é perfeito para a inexistência de um obrigada, de uma palavra de conforto ou qualquer coisa humana. É quase assustador a inexistência de compaixão. Um significado quase indeterminado e algo indefinido escondem-se atrás de um painel, para as palavras preferidas. Estas coincidências são esclarecedoras. São um sinal do que não vale a pena. A palavra amizade não pode ser entregue a todos.

Esta será uma conclusão desnutrida, mas às vezes determinados momentos mostram-nos as voltas da amizade.

Outras coincidências carecem de explicação e não têm uma conclusão desnutrida. São óbvias e impossíveis de planear.

Repetir as vivências diárias de cada um, e reparar em pequenos encontros de ocasião, são meros acasos, em espaços comuns. Devo considerar um exemplo de coincidências? Causa alguma impressão por existirem com regularidade. Encontrar uma pessoa repetidas vezes é simplesmente um mero acaso. Será que acontece a todos? Encontrar sempre uma pessoa quando seria impossível planear esse momento será aceitável, pois não é mais que isso. Deve ser um sinal de qualquer coisa que não quero. Alguém estar onde não era possível estar, deverá ser um sinal para mudar algo. Sair à mesma hora, abrir a porta no mesmo momento, passar subitamente na partida ou na chegada e talvez algo mais que não recordo deve ser analisado como uma preocupação? Talvez não.

Coincidências. Coincidências. Algumas por esclarecer e outras são quase um sinal silencioso da verdade. Não esqueço que a vida real é outra coisa. Sabemos qual é o nosso lugar, sem ser preciso que nos mostrem o que não existe. Os verbos ignorar, afastar, criticar e preferir têm significados claros.






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