A caixa e o espelho

 

Entre o ilusório e a realidade há um mundo de possibilidades. 


Hoje escrevo sobre algo insípido e inconsequente, ou talvez misterioso para não dizer tudo.

Há uma caixa que guardo, que estimo e que envolvo numa certa neblina de proteção. Coloco na caixa momentos que são simplesmente graciosos, na luz que irradiam, quando tocam o coração. Estimo e agradeço todas as situações que presencio e todas as palavras que escrevo. Tudo o que é inesperado e tudo o que não é verdade acaba por cair num dos lados, a que muitas vezes chamo desilusão, mas que, em dias de sol, entendo como a realidade. As inverdades são imagens desagradáveis, junto a espelhos deformados, que não encaixam no discurso habitual. Destacam-se de vez em quando.

A caixa ouve muitas coisas acertadas e o espelho acende as certezas.

No percurso profissional e pessoal deparamo-nos muitas vezes com inverdades. Hoje, apercebi-me, mais uma vez, que os patamares de responsabilidade e as preocupações são tão diferentes, sobretudo quando encontramos quem nada faz, mas projeta um grau de profissionalismo exemplar, atirando uma graçola para o ar para iludir quem a ouve. Num só dia, vejo a excelência em várias ocasiões e constato o egoísmo atroz de certos recuos. Os ambientes perfeitos não existem. Todas as realidades que possamos aceitar são um objetivo que precisamos alcançar. Cada vez compreendo melhor, nas respostas que vou ouvindo, a ausência do que poderia ser claro e verdadeiro. Crescem as frases para dissimular o real intuito do que se diz.

 Hoje, a arrumação da caixa foi caótica. Enfiei nesse canto mais escuro o inverosímil, o incómodo e a surpresa. Os quatro cantos já estão cheios. O que não se esquece lança a sua luz por tudo o que o tempo guardou. É surpreendente a capacidade de gerir tudo isto e ainda arranjar uma música nova para estes dias de verão. Guardei-a no último canto.



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