Momentos de ser
Aquele caminho que escolho para espreitar as roseiras dorme nas horas tardias. Há sempre uma agitação que não se explica em cada passo que me leva mais além. Tudo me parece premeditado e muito bem pensado quando deixo a análise prosseguir. Sinto que ali há um mundo com histórias para contar que brotam naquele pedaço de vida escondido dos olhares de quem passa por perto.
Os risos gentis e barulhentos cantam a alegria daquele espaço com certezas de felicidade.
Tento imaginar o que o pensamento escreve antes de sentir o que a paisagem precisa. As decisões libertas do medo podem ser decifradas em vinte palavras que percorrem as ideias até o pescoço ficar dorido. Os enigmas já foram atirados para outro canto qualquer nos dias de sol quente. Por tudo isso, sente-se uma liberdade fresca pronta para dançar outras modas.
Talvez seja cedo demais para aceitar que tudo mudou por ali.
A aragem arrepia-me quando pressinto a presença da família. Há um sentimento de recusa no ar que não gelou com a passagem do tempo, mesmo com outras modas em desenvolvimento. Na verdade, sinto um recomeço no refúgio que me dá silêncio.
A vegetação parece cantar com os ninhos dos passarinhos e a azáfama da primavera. Aquele caminho antigo é uma dádiva, mas há sempre a pequena dúvida quando o receio aponta decisões. Quem escolhe pensar no conforto que nos rodeia ou que decide aqueles pormenores que ultrapassam as causas e os efeitos deve saber muito bem o que precisa. Talvez por isso os modernismos pareçam ter recuado.
O percurso fica mais estreito na curva de ódios e quase se apaga no meio das paredes que cresceram em demasia para a estrada. Ali naquele canto são os cheiros que discutem as atenções. O mundo liberta vontades e mal entendidos, mas os cheiros doces e os convites fortes de comida conquistam os corações. Quero decifrar que receita será responsável por alterar a linha do meu pensamento silencioso.
Sempre que a porta se abre naquele lugar há qualquer coisa que se sente na pele. Soluços de hesitação ganharam tormentas e corridas inesperadas. Cada passo sabe a doces, a tortas e a convites para saborear pratos de comida inesperados.
O verde das árvores inquietas esconde a vida de todos nós apaziguando os sobressaltos num tabuleiro de surpresas.
Que dirão os outros quando caminham no silêncio que escolhem?
Para mim, um olhar é tmuitas vezes uma aprendizagem apressada. Este pequeno passeio que respira nas minhas palavras é igual a tantos outros que deixam boas recordações.
Maio 2026
Mara Monteiro
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