O som do regresso
O som do regresso é suave e a latitude está escrita em algum lugar. O último degrau desperta a vontade de girar, olhar de novo com confiança, percorrer cada espaço e encontrar o lugar especial que afasta os tormentos.
O interruptor da ausência demora a desligar, como um amuo que não está pronto para a azáfama diária. Também aquele momento registado como modo de mudança demorou a assentar semanas atrás. Na verdade, a agitação chega sempre a tempo de acreditar em novas etapas e de agarrar percursos perdidos. O sorriso continua brilhante em mais uma oportunidade.
No pensamento mais realista há a certeza de que existe sempre uma barreira, em cada regresso, para nos tirar o ânimo.
Os dias de sol tímido já voltaram. O recomeço combina com as filas de nuvens cinzentas que os dias oferecem. Reparo na amizade. Reparo. Reparo de novo. Continuo a admirar a exposição de fotografia e partilho palavras bonitas. Os dias clamam organização e conhecimento. Regresso com imaginação, com novos projetos e uma lista de intenções. Regresso em modo de dedicação. Regresso.
Nas entradas de tudo há muitas palavras ruidosas, muitas coisas superficiais que inundam os espaços, que se colam ao bem-estar. Basta olhar em redor e perceber o que todos temos alcançado, mas os remates da discórdia são duros e teimam em reinar. Acredito em avanços esforçados que resultam.
Acredito em deixar para trás as palavras que não são apropriadas.
Neste regresso, prefiro o som das respostas atenciosas, tranquilidade e conforto de corpo e espírito. Prefiro acreditar que tudo corre bem por aqui, na longitude certa que encontrei. O som do regresso tem fervor positivo que chegue.
Não acrescentei nada ao que todos sabem. É preciso continuar.
Maria Silva Monteiro - 2025
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