Exasperei-me

 


Exasperei-me no riacho das palavras e no tempo que aconteceu. 
Exasperei-me com a chuva, com o céu carregado, com a porta que se fechou, mas deixei esse sentimento azedo no silêncio amargo que aceito. 
Oscilei. Hesitei. Respirei os ares, as verduras, as novidades. 
Mudei-me para outra porta, sem amparo, sem entusiasmo, e senti a tristeza inundar-me como esta chuva atrevida que entra sem cuidados no abrigo que imagino. 

Sem obstinação. Sem renitência. 
O vento leve das horas verdadeiras cuidou do vazio e abrilhantou os processos. 
Um lugar de pequenos segredos, desvendados na luz que ilumina as cores num céu cinzento, permanece e continua o percurso. 
São as palavras escritas que vencem as vontades. 
Um baú de palavras encantadoras já resplandece no riacho das linhas partilhadas, numa escada de efeitos bonitos, nas horas cheias de sentimentos. 

Hilaridade. 
A conquista daquela linha, que fomenta valores e cultura, agarra o abraço da liberdade de conhecer diferentes estados de alma — colados às pressas, aos contentamentos e às melodias que adoptamos. 

Sobre todos nós, vós, todos os que gostamos de escrever qualquer coisa leve, suave ou exasperante, estico o véu da hilaridade. 

 Obrigada.


@ maria monteiro – fevereiro 2026 







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