As perguntas da dissimulação
O meu texto para um dia bonito e livre como este, com sabor a feriado e a chocolate, alcança o que por vezes não esperamos, nem desejamos. Toco na leve memória daquele momento em que ficamos surpreendidos, sentimos o abalo, relembramos que é sempre questionável a surpresa de uma intenção, que se instala e se dá a conhecer, medindo os passos necessários, longe da frescura da honestidade. A mesma intenção já fora representada nos lábios e nos sons, antes do silêncio, e muitas vezes perdeu-se na verdade e no que não é dito. E a amizade perde-se no silêncio, na dissimulação e em tudo o que não é. A dissimulação que engloba a perspetiva de outros, para saber e resolver o que podemos esperar, é comparável a uma estrada sem carros. Uma estrada sem a verdade, uma amizade ausente. As perguntas que são estudadas para contar aos outros, mesmo sendo inofensivas, são dúbias e obscuras.
E porque nos salvamos do que não gostamos, essas palavras oscilam e perdem-se quando as recusamos, na mente silenciosa e compreensiva. Perto da cilada das palavras, sinto o cansaço crescer. O cansaço de tais exibições começa a ser impenetrável e impetuoso em simultâneo.
Quem mais se pendura na corda da roupa? Quem mais se pendura nas perguntas dos outros? Quem? São sempre os mesmos que fazem as perguntas da dissimulação, vazias de humanidade.
1 de novembro 2025 @ Maria Monteiro
Comentários
Enviar um comentário