Sem forças para comentar
Os pequenos recantos pessoais e os nossos hobbies encontram-se em muitos lugares. E tudo tem impacto quando é saboreado, lido e acarinhado. No tempo levado por uma aragem barulhenta vi umas palavras escritas sobre algo inesperado, que se passou num espaço de calma e lazer. Vi, de seguida, as linhas escritas de apoio e de brincadeira respeitosa crescerem para alguém, que merece um amparo. Num ímpeto impensado apeteceu-me escrever as palavras: Boa sorte!
Não o fiz.
Fiquei sem forças para comentar e acrescentar surpresa pareceu-me inadequado. Seria sempre um atrevimento de uma desconhecida e palavras públicas parecem ser sempre para amigos e conhecidos, mesmo estando entregues ao mundo das redes sociais. No conforto dos que são acarinhados, apoiados e abraçados tudo se passou e transformaram esse momento incómodo em linhas de palavras escritas com imaginação, dando um final ao episódio real. Nesta fase em que me vejo transformar tudo em palavras contive-me e ri-me, na minha distância online, com os textos escritos que iam sendo publicados. Abertos a versões de ilusão cautelosa ou de devaneios impetuosos pareciam ser amistosos.
Cada vez mais sinto que quem escreve numa rede social deve ser respeitado/a. As palavras fervem em água fria para muitos e não consigo aceitar a gritaria escrita e a falta de educação. Talvez deva dizer que são um público apaixonado. Uma intrusão num espaço deve ser alvo de reflexão, mesmo sendo aberto a todos. Aquele lugar a que me refiro, pareceu-me um espaço grandioso, respeitado e guardado numa bolha, que partilha criatividade e conhecimento. Na realidade, esse episódio tornou-se num portão sem chave. Hoje, lembrei-me dessa escrita saudável que li há uns meses. Sem entrar em pormenores sobre o episódio que terá ocorrido, escrevo estas linhas neste blog. Bem longe do espaço online onde li o texto, o meu contributo, que nunca aconteceu, nasce aqui neste pequeno rascunho, agarrando esse prompt para uma escrita desconhecida e impessoal.
Eu diria assim:
"No meio da narrativa só as palavras que partilhei me acalmaram. Senti a companhia de alguém. Alguém que bem poderia ser outra pessoa. Decidi parar e descansar da azáfama que me agarrava o pescoço e senti o café entrar nas veias e despertar a minha sonolência. O cheiro agradável da canela juntou-se ao som suave de uma guitarra misturado numa jukebox retro, quase presa a um passado cheio de estórias, quase alinhada com o presente ainda desconhecido.
Sinto-me a viver momentos já passados, junto aos vidros embaciados, que mesmo assim refletem a minha imagem dos tempos presentes. Perco-me na letra da melodia. Perco-me na vida que me trouxe aqui. Às vezes não fazemos parte do mesmo mundo."
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