Um lugar de mar
Uma tira de mar azul e areia branca estraga-me com mimos, como uma poesia recebida de surpresa. Um lugar de mar que não conheço estica-me o braço e torna-se um sentido proibido, que imponho a mim própria. Uma bazófia de palavras na lista do contra e uma só a favor. Descansar. Esta brisa de descobertas levou-me até essas palavras que começam com C e uma outra com M, nesse Portugal de águas mornas e momentos de lazer.
Uma vila alonga-se até ao mar, esconde pequenos refúgios para desfadigar e não badala conquistas. Chamo férias a tudo isso. Gosto de ver o mar, gosto de saber que está perto nas brisas quentes. Sentir a fresquidão quando toco a areia molhada, na borda desse mundo azul e sentir esse arrepiar que arrefece a inquietação.
É bom ter um refúgio junto ao mar, que cole no corpo as centenas de coisas boas que sou capaz de enumerar, que somos todos capazes de repetir. Ganha a razão que nos acode como um espelho de momentos, que precisamos e que agradecemos. Descansar. A pausa necessária, muitas vezes surda quando a sentimos abalar os nossos pensamentos. Sim, é bom encontrar um refúgio de cores infinitas por uns dias.
A vila de C. M. inquieta a minha curiosidade. Via-a em fotos, em letras e em ausências. As ruas estreitas cheias de estórias, os pormenores do presente e os detalhes do passado não se importarão, com as visitas que lhe roubam a quietude e o fresco das tardes junto ao mar?!
Falta-me escolher um sítio assim! Nos percursos que não faço há uma palavra na lista a favor que preciso encontrar, neste verão, com linguagem própria e cabeça erguida, para tudo o que amo.
Um lugar de mar que não conheço, com pinheiros mansos, caminhos estreitos e casas brancas encaixa-se no espaço de muitas novidades.

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